Filtração na usina sucroalcooleira
Na usina, filtração é dinheiro medido em pol: açúcar que sai retido na torta do filtro é ATR perdido, e a pol na torta é o indicador que toda usina acompanha contra a própria meta de safra. Antes de aceitar uma pol alta como “normal do lodo”, vale olhar o meio filtrante — tela saturada, malha errada e lavagem irregular são causas administráveis dessa perda.
Onde o tecido aparece na usina
Filtração do lodo do decantador. O lodo do tratamento do caldo vai ao filtro rotativo a vácuo ou ao filtro prensa; a torta de filtro segue para a lavoura como adubo — e o açúcar que vai junto é prejuízo mensurável. No rotativo, a tela é o elemento de trabalho (ver filtro de tambor); na prensa, a lona. Nos dois casos, malha/permeabilidade e estado de conservação definem quanto açúcar fica na torta.
Lavagem da torta. A embebição — a água que lava a torta para recuperar sacarose — só trabalha se molhar por igual: tela deformada, trecho colmatado ou bico irregular deixam bolsões de açúcar que nenhum ajuste de vácuo recupera.
Fuligem da caldeira de bagaço. A água de lavagem de gases da caldeira arrasta fuligem que precisa ser desaguada antes do reúso — serviço de tecido resistente à abrasão, em telas e esteiras filtrantes.
Açúcar, movimentação e armazenagem. No transporte e ensaque do açúcar entram o pano de regueira — como o chão de fábrica chama a lona da calha fluidizada, ver pano de regueira e tecido airslide — além de silos têxteis, trombas de carregamento e mangas filtrantes no despoeiramento.
Pol alta: o roteiro de diagnóstico
- Tela/lona saturada — meio filtrante colmatado filtra mal e lava pior; ciclo de limpeza e vida útil entram na conta antes da troca de safra.
- Malha/permeabilidade erradas — abertura grande demais perde sólido para o filtrado turvo; fechada demais encharca a torta e prende açúcar.
- Embebição irregular — distribuição desigual da água de lavagem sobre a tela deixa açúcar onde a água não chegou.
- Operação — vácuo, velocidade do tambor e espessura de torta fora do ponto amplificam qualquer defeito do tecido.
O mesmo raciocínio da pol vale para a umidade de torta: tecido certo desagua mais sem elevar consumo de água e polímero.
Perguntas frequentes
Por que a pol da minha torta subiu? Comece pelo meio filtrante: tela saturada ou com malha errada e embebição desigual são as causas mais frequentes ligadas ao tecido — e as mais baratas de corrigir. Se o tecido está íntegro e bem lavado, o ajuste é de operação (vácuo, espessura de torta, taxa de embebição).
Filtro rotativo ou filtro prensa para o lodo? Cada rota pede um têxtil diferente (tela do rotativo × lona da prensa) e entrega torta e perda diferentes. A comparação honesta se faz em ensaio com o seu lodo — o laboratório Remae simula as duas rotas em bancada antes de qualquer investimento.
A tela do rotativo vive entupindo em plena moagem. O que fazer? Colmatação em tela de rotativo é combinação de malha inadequada para o lodo e lavagem deficiente (chuveiros). Ver o roteiro completo em diagnóstico de blinding — e ensaiar a tela candidata com o lodo real antes da safra.
Quando trocar o pano de regueira? Quando a calha perde fluidização: pó que não desce, mais ar comprimido para o mesmo transporte e descarga lenta são os sinais de lona colmatada ou furada. Ver tecido airslide.
Traga seu lodo antes da safra — o ensaio é feito no laboratório Remae. Envie a amostra com os dados (rotativo ou prensa, malha atual, taxa de embebição) e a Remae devolve o comparativo de tecidos medido em bancada. → /orcamento/