Glossário de filtração industrial
Cada termo tem definição direta em duas frases e contexto de aplicação na indústria.
- Acabamentos do tecido filtrante — Tratamentos aplicados após a tecelagem que ajustam o comportamento do tecido: termofixação (estabilidade dimensional), calandragem (superfície lisa, calibra a permeabilidade e melhora o desprendimento), chamuscagem (queima da pilosidade em feltros) e tratamentos químicos (hidro/oleófobo, antiestático, membrana PTFE). O mesmo tecido cru vira produtos diferentes conforme o acabamento.
- Arqueamento e efeito tubo (fluxo em silos) — Os dois modos clássicos de travamento de pó em silo: no arqueamento (ponte), o material forma um arco coesivo sobre a boca de descarga e o fluxo para; no efeito tubo ("caminho de rato"), só um canal central escoa e o resto fica parado nas paredes. Ambos pioram com pó fino, úmido ou compactado.
- Auxiliar de filtração (terra diatomácea, perlita) — Pó mineral poroso dosado no líquido ou depositado sobre o meio filtrante como pré-capa, para reter partículas finíssimas e géis que sozinhos cegariam o tecido. Terra diatomácea (kieselguhr) e perlita são os clássicos — em óleos, açúcar, bebidas e química fina.
- Bag de secagem — Saco filtrante que reveste um recipiente comum para desaguar sólidos em batelada: o sólido fica retido e o líquido atravessa o tecido por gravidade, deixando a massa retida mais seca. Na Remae é a mesma peça que o cesto de decantação — dois nomes de mercado para o mesmo produto.
- Barbotina (e defloculação) — Suspensão aquosa de argilas e minerais moídos que é a matéria-prima da cerâmica via úmida. A defloculação é o ajuste químico que baixa a viscosidade da barbotina com o mínimo de água — e o seu ponto ótimo afeta diretamente a filtro-prensagem: defloculante demais ou de menos piora o desaguamento.
- Barragem de rejeitos — Estrutura que armazena rejeito de mineração em polpa, historicamente construída em etapas sucessivas (alteamento a montante, a jusante ou por linha de centro). Após Mariana e Brumadinho, a legislação brasileira (Lei 14.066/2020) proibiu novos alteamentos a montante e acelerou a migração para alternativas sem barragem.
- Bolsa centrífuga — Elemento filtrante em forma de bolsa que reveste o cesto de centrífugas de filtração (indústrias química, farmacêutica, alimentícia). Especificada por fibra (química do produto), retenção (tamanho do cristal/partícula), formato, costura e acabamento — variáveis que definem desprendimento da torta, qualidade do licor e vida útil da bolsa.
- Cake blow (sopro de descarga) — Sopro de ar usado para desprender/secar a torta na descarga do filtro prensa. Mal ajustado, danifica o tecido em placas específicas e encurta a vida útil.
- Capa de proteção têxtil — Capa sob medida em tecido técnico para proteger equipamentos, painéis e carrinhos industriais de pó, respingos e umidade — confeccionada conforme a geometria do equipamento e o ambiente (abrasão, química, área externa).
- Carry-over (passagem de finos) — Passagem de partículas sólidas através do meio filtrante para o filtrado, visível como filtrado turvo ou como sólidos acumulando onde não deviam (tanques, bombas, trocadores). Indica retenção insuficiente do tecido para a granulometria da polpa — ou dano localizado (furo, costura, vedação).
- Casa de mangas (baghouse) — Coletor de pó industrial que abriga dezenas a milhares de mangas filtrantes montadas em gaiolas, por onde o gás empoeirado atravessa deixando o pó retido na superfície do tecido. É o coração do despoeiramento em cimenteiras, siderúrgicas, fundições e moinhos.
- Cesto de decantação — Saco filtrante que reveste um recipiente comum (caixa d'água, bombona, tanque) para separar sólido de líquido em batelada: o sólido fica retido e o líquido atravessa o próprio tecido por gravidade. Na Remae é a mesma peça que o bag de secagem — dois nomes de mercado para o mesmo produto.
- Ciclo de filtração — Tempo total para formar a torta, desaguar e descarregar, retornando o filtro ao início. Ciclos mais curtos aumentam a capacidade da planta.
- Colmatação (blinding) — Entupimento progressivo do tecido filtrante causado pelo acúmulo de particulados finos nos poros, reduzindo a vazão até inviabilizar a filtração. É a principal causa de queda de desempenho de lonas e mangas ao longo do uso.
- Condicionamento químico (floculação e jar test) — Preparação do lodo ou polpa para o desaguamento com coagulantes e polímeros (floculantes), que aglomeram os finos em flocos filtráveis. O jar test é o ensaio de bancada que define produto e dosagem — e a dosagem errada, para mais ou para menos, piora a filtração.
- Contentor têxtil — Embalagem industrial flexível de tecido para armazenar e movimentar sólidos a granel — a família dos big bags (FIBC) e contentores sob medida. A especificação combina capacidade de carga, tipo de alça e descarga, e o forro/tecido compatível com o produto.
- CST (tempo de sucção capilar) — Ensaio rápido que mede a filtrabilidade de um lodo: cronometra, em segundos, quanto a água livre do lodo demora para avançar por um papel-filtro padrão. CST alto = lodo difícil de desaguar; é o número usado para ajustar o condicionamento químico antes de culpar o equipamento ou o meio filtrante.
- Desaguamento — Remoção de água de uma polpa ou torta por filtração (pressão ou vácuo), espessamento ou centrifugação. A umidade residual da torta é sua métrica-chave.
- Desaguamento de lodo — Remoção de água do lodo gerado em estações de tratamento de efluentes (ETEs) industriais e municipais, tipicamente por filtro prensa, prensa desaguadora (belt press) ou centrífuga. Menos água na torta significa menos volume para transportar e dispor — a maior conta da gestão de lodo.
- Descaracterização de barragem — Processo de eliminar a função de barragem de uma estrutura de rejeitos — retirando ou estabilizando o material armazenado — para que ela deixe de existir como risco. É obrigação legal no Brasil para barragens alteadas a montante (Lei 14.066/2020).
- Despoeiramento — Sistema de captação e filtragem do pó gerado por um processo industrial (moagem, transporte, fornos, ensacamento), quase sempre com coletores de mangas filtrantes. O objetivo é duplo: atender o limite de emissão ambiental e devolver produto recuperado ao processo.
- Diagnóstico de blinding — Conjunto de sinais que indicam colmatação do tecido: queda de vazão ao longo das campanhas, aumento da umidade da torta, filtrado que continua limpo mas o ciclo alonga, e tecido que "não abre" na lavagem. O ensaio comparativo de bancada ajuda a confirmar se o problema é o tecido ou o processo.
- Dry stacking (empilhamento a seco) — Disposição de rejeito filtrado em pilhas, alternativa à barragem de rejeito. Exige torta seca o suficiente para transporte e empilhamento — em testes Remae com minérios e rejeitos (polpas de 35% a 80% de sólidos), tortas ficaram na faixa de 10% a 20% de umidade.
- Duto têxtil — Duto flexível de tecido técnico para conduzir ar ou pós entre equipamentos — leve, desmontável e adaptável a traçados que o duto metálico rígido não resolve. Inclui conexões e interligações flexíveis entre bocas de equipamentos.
- Eficiência de corrente — Fração da corrente elétrica da célula que efetivamente vira metal depositado no cátodo — o indicador econômico central da eletrólise: eficiência menor significa mais energia por tonelada. Cai com impurezas no eletrólito, curtos-circuitos entre placas e dendritas.
- Embebição — Água aplicada para lavar e extrair o açúcar remanescente — na moenda, sobre o bagaço; na filtração do lodo, sobre a torta no filtro rotativo ou prensa. Embebição irregular deixa bolsões de sacarose na torta e eleva a pol perdida.
- Empastamento — Endurecimento do pó sobre a manga filtrante quando há umidade ou condensação no gás: a torta de pó vira uma crosta que o pulso de limpeza não descola, a perda de carga sobe e não desce mais. É a falha típica de partidas a frio e de operação perto do ponto de orvalho.
- Espátula (descarga e limpeza de torta) — Ferramenta de raspagem usada para descolar a torta residual da lona sem danificar o tecido — feita em material mais macio que a fibra (polímero/madeira), diferente da raspagem improvisada com metal, que corta fios e abre caminho para vazamento e passagem de finos.
- Esteira filtrante — Tecido contínuo (correia) usado em filtros-esteira a vácuo para desaguamento em linha. Além das variáveis de filtração, a especificação envolve resistência à tração, estabilidade dimensional (alinhamento) e o tipo de emenda — pontos típicos de falha em campo.
- Fase densa e fase diluída (transporte pneumático) — Os dois regimes de transporte pneumático de pós: na fase diluída, pouco material em muita velocidade de ar (mais abrasão e degradação da partícula); na fase densa, muito material em baixa velocidade (mais delicado, menos ar). A escolha do regime define os componentes — inclusive os têxteis.
- Feltro agulhado — Não tecido em que camadas de fibras são consolidadas mecanicamente por milhares de agulhas farpadas, formando uma manta tridimensional — a base da maioria das mangas filtrantes e de meios de filtração de profundidade. Diferente do tecido plano, retém o pó no volume da manta, não só na superfície.
- Fibras e polímeros (poliéster, poliamida, polipropileno, PTFE) — A fibra define a resistência química e térmica do tecido: poliéster, poliamida (nylon), polipropileno e PTFE têm janelas distintas de pH, oxidantes e temperatura. Fibra fora da faixa degrada em semanas — sintoma que se confunde com "tecido ruim".
- Filtração a vácuo — Processo em que o líquido é puxado através do tecido por sucção (filtros de disco, tambor ou horizontal). Forma a torta de modo diferente do filtro prensa, então a umidade de torta não é comparável 1:1 entre os dois.
- Filtrado — Líquido que atravessa o tecido filtrante e sai isento (ou quase) de sólidos. A qualidade do filtrado (limpo × turvo) mede a retenção do tecido: filtrado turvo indica passagem de finos e sugere um tecido de maior retenção.
- Filtro de disco — Filtro rotativo a vácuo formado por discos verticais divididos em setores, cada um revestido por um saco ou tela filtrante; os discos giram mergulhando na polpa, formam torta sob vácuo e a descarregam por raspagem ou sopro. Muito usado em minério de ferro, celulose e desaguamento de concentrados de alto volume.
- Filtro de esteira horizontal (belt filter) — Filtro a vácuo em que a polpa é distribuída sobre uma esteira filtrante horizontal que avança sobre caixas de vácuo — formação, lavagem e secagem da torta acontecem em sequência ao longo da mesa. É o equipamento preferido quando a torta precisa ser lavada em contracorrente (fosfato, gesso, lítio).
- Filtro de tambor — Filtro rotativo a vácuo em que um tambor horizontal revestido de tecido filtrante gira parcialmente imerso na polpa: a torta se forma na superfície externa e é descarregada a cada volta por raspador, rolo ou sopro. Clássico em polpas de filtração fácil e em operações com pré-capa.
- Filtro multibolsas — Filtro de líquidos em que várias bolsas filtrantes trabalham em paralelo dentro de um mesmo vaso: mais área e vazão sem elevar o porte do equipamento. As bolsas são o elemento de troca — especificadas por micragem, fibra e anel de vedação.
- Filtro nutsche — Filtro de batelada em vaso fechado com uma única placa filtrante horizontal no fundo, operado sob pressão ou vácuo — nas versões agitadas, o mesmo equipamento filtra, lava, seca e descarrega o sólido sem abrir o vaso. Padrão nas indústrias química fina e farmacêutica, onde contenção e pureza mandam.
- Filtro prensa — Equipamento que forma a torta sob pressão, entre placas revestidas com tecido filtrante. Produz tortas mais secas que a filtração a vácuo em muitas aplicações e é amplamente usado em mineração.
- Finos (teor de finos) — Fração de partículas muito pequenas na polpa. Alto teor de finos dificulta o desaguamento e aumenta o risco de colmatação e de passagem de sólidos no filtrado — sendo, muitas vezes, o fator que mais pesa na escolha do tecido.
- Gramatura — Massa do tecido por unidade de área (g/m²). Influencia resistência mecânica, vida útil e comportamento de filtração.
- Grau alimentício (contato com alimentos) — Qualificação de um tecido filtrante para contato direto com alimentos e bebidas: fibras e acabamentos que não migram para o produto, atendendo às resoluções da Anvisa para materiais em contato com alimentos e às Boas Práticas de Fabricação (BPF) da planta.
- Hidrólise de fibra (e sulfonação) — Degradação química da fibra do tecido pela combinação de umidade, temperatura e gases ácidos: a hidrólise quebra as cadeias do polímero (o poliéster é o mais vulnerável) e a sulfonação é o ataque por compostos de enxofre. A manga perde resistência, encolhe e rasga muito antes da vida esperada.
- Jato pulsante (limpeza de mangas) — Regime de limpeza em que pulsos curtos de ar comprimido, disparados por válvulas e venturis no topo de cada fileira, inflam a manga e desprendem o bolo de pó — com o coletor em operação. É o sistema dominante nos coletores modernos, ao lado do ar reverso e do sacudimento mecânico.
- Junta de expansão têxtil — Elemento flexível de tecido técnico instalado entre trechos de duto ou entre equipamentos para absorver dilatação térmica, vibração e desalinhamento — onde uma conexão rígida racharia. Também chamada de compensador têxtil.
- Lama anódica — Resíduo sólido que se desprende do ânodo durante o eletrorrefino de cobre e níquel — concentra as impurezas e também os metais preciosos (ouro, prata) do ânodo. Solta no eletrólito, contamina o cátodo; retida junto ao ânodo pelo saco anódico, vira a fração mais valiosa da eletrólise.
- Lama vermelha — Resíduo da clarificação do processo Bayer: sólido fino, altamente alcalino e produzido em grande volume. Seu desaguamento por filtro prensa vem substituindo lagoas de disposição, no mesmo movimento do empilhamento a seco na mineração.
- Leaf Test — Ensaio de laboratório que simula a filtração a vácuo usando uma folha filtrante (leaf) imersa na polpa. Mede formação de torta, umidade, vazão e qualidade do filtrado.
- Liberação de torta (desprendimento) — Facilidade com que a torta se solta do tecido na descarga. Boa liberação encurta o ciclo e reduz a mão de obra; má liberação sugere tecido inadequado ou colmatação.
- Lona para filtro prensa — Elemento filtrante têxtil que reveste as placas do filtro prensa (câmara ou membrana). Especificada por fibra, construção (mono/multi), gramatura, permeabilidade e acabamento, a partir das condições do processo.
- Manga filtrante (filtro manga) — Elemento filtrante para separação sólido-ar em coletores de pó (cimenteiras, siderurgia e outras). A especificação considera temperatura do gás, abrasividade do pó, umidade e regime de limpeza (pulso de ar).
- Micragem ("micron rating") — Indicação do tamanho de partícula que o meio filtrante retém, em micrômetros (µm) — nominal quando indica retenção típica, absoluta quando garante um corte. Em tecidos de filtração de processo é sempre uma referência aproximada: a retenção real depende da trama, da pré-camada formada e das condições de operação.
- Mono-multi (construção mista) — Construção de tecido filtrante que combina urdume de monofilamento com trama de multifilamento (ou fibra cortada): o lado liso do mono dá desprendimento de torta e limpeza fácil, e o multi dá retenção de finos. É a terceira classificação, ao lado do monofilamento e do multifilamento puros.
- Monofilamento — Tecido feito de fios simples e lisos. Oferece melhor liberação de torta, menor colmatação e limpeza mais fácil — indicado para polpas que tendem a aderir ao tecido.
- Multifilamento — Tecido feito de fios compostos por muitos filamentos. Oferece maior retenção de finos e filtrado mais limpo, ao custo de maior tendência à colmatação e liberação de torta um pouco mais difícil.
- Pano de regueira — Tecido técnico permeável que forra as regueiras (calhas) das usinas sucroalcooleiras, pelo mesmo princípio do tecido airslide: o ar que atravessa o pano mantém o material fluidizado, deslizando pela calha sem empacar. É o nome que o setor de usinas usa para esse tecido.
- Papel filtrante — Meio filtrante celulósico (com ou sem resinas) para filtração de líquidos em processos que pedem retenção fina e troca rápida do elemento — polimento de óleos, banhos industriais, fluidos de usinagem. Complementa os tecidos onde o descartável faz mais sentido que o reutilizável.
- Passivação do ânodo — Formação de uma camada que bloqueia a dissolução do ânodo na célula eletrolítica: a corrente cai, a produção de cátodos despenca e o ânodo sai do ciclo com peso sobrando. Ligada à qualidade do ânodo e às condições do eletrólito — e sensível à circulação do eletrólito na face do ânodo.
- Permeabilidade ao ar — Volume de ar que atravessa o tecido por unidade de área e tempo, sob uma dada pressão (tipicamente expresso em m³/min/m² a 1/2" de coluna d'água). É um indicador prático da "abertura" do tecido: maior permeabilidade tende a dar mais vazão e menos retenção; menor permeabilidade, o inverso.
- pH da polpa — Medida de acidez/alcalinidade da suspensão a ser filtrada. Determina a fibra do tecido: o poliéster atende bem meios neutros a alcalinos; meios fortemente ácidos ou alcalinos, ou altas temperaturas, exigem fibras e acabamentos específicos.
- Placas de filtro prensa (câmara e membrana) — Elementos rígidos (normalmente polipropileno) que, empilhados e prensados, formam as câmaras onde a torta se forma — sempre revestidos pela lona filtrante. Placas de câmara têm cavidade fixa; placas de membrana têm uma face inflável que espreme a torta no fim do ciclo, entregando umidades menores.
- Pol na torta — Percentual de sacarose que sai perdido na torta do filtro da usina sucroalcooleira — o indicador que transforma a filtração do lodo em dinheiro: quanto menor a pol da torta, mais açúcar recuperado por safra. É uma das perdas industriais monitoradas em toda usina.
- Ponto de orvalho ácido — Temperatura abaixo da qual os vapores ácidos do gás (SO2/SO3, cloretos) condensam sobre as superfícies — inclusive sobre a manga filtrante. Operar perto ou abaixo dela ataca a fibra quimicamente e empasta o pó, encurtando a vida da manga.
- Pré-camada — Camada inicial de torta que se forma sobre o tecido nos primeiros instantes do ciclo e passa a auxiliar a filtração dos finos — o próprio sólido vira parte do meio filtrante. É por isso que certo grau de colmatação convive com boa eficiência: a fronteira relevante é o ponto de colmatação máxima, não a ausência de colmatação.
- Prensa desaguadora (belt press) — Equipamento contínuo de desaguamento de lodo em que o material floculado é espremido entre duas telas filtrantes que convergem sobre rolos de diâmetro decrescente. Padrão em ETEs municipais e industriais pela operação contínua e baixo consumo de energia.
- Pressão diferencial (ΔP) — Diferença de pressão entre o lado sujo e o lado limpo do meio filtrante — o esforço que o gás (ou líquido) faz para atravessar o tecido mais a camada de pó ou torta. Em coletores de mangas é o principal sinal vital: é ela que dispara os ciclos de limpeza e denuncia colmatação.
- Processo Bayer — Rota industrial que transforma bauxita em alumina: digestão em soda cáustica, clarificação (separação da lama vermelha), precipitação do hidrato de alumínio e calcinação. Quase toda etapa depende de filtração — e o meio filtrante trabalha em meio cáustico e quente, um dos ambientes mais severos para tecidos.
- Rejeito filtrado — Rejeito de mineração desaguado por filtração (filtro prensa ou filtro a vácuo) até uma umidade que permita transporte por caminhão ou correia e disposição em pilha, dispensando a barragem convencional. É a base do empilhamento a seco (dry stacking).
- Relação ar-pano — Razão entre a vazão de gás que entra no coletor e a área total de tecido filtrante instalada — na prática, a velocidade média com que o gás atravessa as mangas (m³/min por m² de tecido). É o parâmetro central de dimensionamento de uma casa de mangas.
- Resistência específica da torta (α) — Parâmetro da teoria da filtração que mede quanto uma torta resiste à passagem do líquido, por unidade de massa depositada (m/kg). É o número que a academia usa para comparar filtrabilidades e dimensionar filtros — quanto maior o α, mais lenta a filtração para a mesma pressão.
- Retenção — Capacidade do tecido de barrar os sólidos e entregar filtrado limpo. Alta retenção favorece a qualidade do filtrado, mas tende a reduzir a vazão e a aumentar a colmatação — daí o equilíbrio com a permeabilidade ao ar.
- Saco de ânodo — Elemento têxtil que envolve o ânodo em processos eletrolíticos (refino de cobre/níquel), retendo a lama anódica sem comprometer a eficiência da célula. Especificado por retenção e compatibilidade química com o eletrólito.
- Selo têxtil para gasômetro — Elemento de vedação em tecido técnico que fecha a folga entre a parte móvel e a estrutura do gasômetro, impedindo o escape do gás enquanto acompanha a variação de volume do equipamento. Na Remae, a aplicação atendida é o gasômetro de gás de aciaria, na siderurgia.
- Silo têxtil (silo flexível) — Silo de tecido técnico, sob medida, para armazenagem de pós e grãos — alternativa leve e respirável ao silo metálico em aplicações compatíveis. A parede têxtil respira: reduz condensação e o empedramento do material junto à parede.
- Tecido airslide (calha fluidizada) — Tecido técnico permeável que forma o fundo das calhas fluidizadas (aerodeslizadores) usadas para transportar pós finos, como cimento e alumina: o ar soprado por baixo atravessa o tecido e fluidiza o material, que escorre como líquido. Não é um meio de filtração no sentido clássico — é um meio de fluidização.
- Tecido filtrante — Meio filtrante têxtil que retém os sólidos e deixa passar o fluido — líquido ou gasoso. É escolhido por fibra (ex.: poliéster, polipropileno), construção (mono, multi ou multifilamento fibrilado), gramatura, permeabilidade ao ar e acabamento.
- Teor de sólidos (e SST) — Percentual de matéria seca numa polpa, lodo ou torta — o número que define o custo de transporte e disposição: cada ponto a mais de sólidos na torta é menos "frete de água" pago. SST (sólidos suspensos totais) é a medida equivalente para a qualidade do líquido.
- Teste de Buchner — Ensaio de bancada em funil de Büchner sob vácuo, usado para avaliar filtrabilidade e desaguamento de polpas em pequena escala. Simples e rápido, é útil para triagem inicial de tecidos e para polpas de finos difíceis.
- TML (umidade de embarque) — Transportable Moisture Limit: a umidade máxima com que uma carga mineral a granel pode embarcar em navio sem risco de liquefação. Pelo Código IMSBC da IMO (item 7.3.1.1), carga sujeita à liquefação só embarca com umidade real abaixo do TML, salvo em navios especialmente construídos ou equipados.
- Torta compressível — Torta cuja estrutura se compacta sob pressão, fechando os próprios canais de drenagem: aumentar a pressão de filtração rende cada vez menos — e no limite piora, porque a resistência específica cresce junto. Típica de lodos orgânicos, hidróxidos e materiais gelatinosos.
- Torta de filtração — Camada de sólidos que se forma sobre o tecido filtrante à medida que o líquido é removido. A qualidade da torta — espessura, homogeneidade e umidade — determina a eficiência do ciclo e a facilidade de descarga.
- Tramas do tecido filtrante (tela, sarja, cetim) — Padrões de entrelaçamento entre os fios de urdume (comprimento) e trama (largura) que definem o comportamento do tecido: tela/tafetá (máxima retenção, menor vazão), sarja (equilíbrio e diagonal característica) e cetim (superfície lisa, melhor desprendimento de torta e menos colmatação). A trama certa depende do que o processo mais exige.
- Tromba de carregamento — Elemento têxtil telescópico (sanfonado) usado no carregamento de pós e granéis em caminhões, vagões e silos: conduz o material da bica ao destino contendo a poeira no caminho. Também chamada de bica ou mangote de carregamento.
- Tubo de Pressão — Ensaio de laboratório Remae que reproduz a formação de torta de um filtro prensa (a pressão). Permite comparar tecidos candidatos sobre a polpa real do cliente, medindo umidade de torta, tempo de ciclo, qualidade do filtrado e liberação da torta.
- Umidade de torta — Percentual de água retido na torta de filtração ao final do ciclo. É o principal indicador de desempenho do desaguamento: quanto menor a umidade, menor o custo de transporte, secagem e disposição do material.
- Vazão de filtração — Volume de filtrado por unidade de área e tempo. Indica a produtividade do meio filtrante.