Como funciona o processo de filtração de minérios e rejeitos

Resumo rápido: filtrar minério ou rejeito retira água da polpa até a torta poder ser empilhada. Em ensaios de bancada Remae, polpas de 35% a 80% de sólidos deram tortas de 10% a 20% de umidade — faixa medida sobre esses materiais, não um patamar aplicável a qualquer polpa.


Por que a usina filtra

A filtração é a última etapa de separação sólido-líquido do beneficiamento: a polpa do espessador entra no filtro e sai em dois produtos, a torta e o filtrado.

A torta responde ao destino do material. A pilha de rejeito só é estável perto da umidade ótima de compactação — daí o alvo abaixo de ~20% de umidade no empilhamento a seco, com casos brasileiros publicados de minério de ferro operando em 14–17%. Concentrado que segue para porto responde ao TML do Código IMSBC: carga sujeita à liquefação só embarca com umidade abaixo desse limite. O filtrado responde ao circuito de água: quanto mais límpido, mais direto o retorno ao processo.

A Lei 14.066/2020 proibiu barragens com alteamento a montante e obrigou a descaracterização das existentes, o que tornou a filtragem de rejeito premissa de projeto novo — desdobrada por umidade geotécnica e equipamento em filtragem de rejeitos e dry stacking.


Cada rota de filtro desagua de um jeito

O mesmo material entrega números diferentes conforme o equipamento, porque a força motriz é outra em cada rota.

Qual rota entrega o quê se mede em bancada, com a polpa real, antes da decisão de projeto.


O que muda quando muda o tecido

O filtro é dimensionado com o material de projeto, mas opera com o material real, quase sempre mais fino. O tecido é a variável ajustável com a planta rodando — e a variação que ele produz é medida.

Num ensaio comparativo de 6 tecidos sobre a mesma polpa (tubo de pressão, ~34 °C), a umidade residual da torta foi de 14,5% a 20,4% trocando apenas o elemento filtrante. Em leaf test com talco flotado, os tecidos comparados sobre a mesma polpa entregaram tortas de 22,1% a 13,4% de umidade, 8,7 pontos percentuais de diferença sem mudar equipamento, pressão ou vácuo. Ambos valem para aqueles materiais, naquelas condições, e não se transferem para outra polpa.

A especificação segue uma ordem. Primeiro a fibra, ditada pela química: poliéster, polipropileno, poliamida e blends técnicos têm janelas distintas de pH e temperatura, e fora da faixa o tecido degrada em semanas. Depois a construção: monofilamento libera melhor a torta e colmata menos; multifilamento retém mais finos e clareia o filtrado. Por último o acabamento — calandragem para desprendimento, termofixação para estabilidade dimensional.

Quando a umidade sobe acima do alvo, a causa raramente é única: o roteiro está em umidade de torta alta: causas e, para queda progressiva de vazão com filtrado limpo, em diagnóstico de blinding.


O que o ensaio mede

O laboratório Remae reproduz o equipamento em bancada: tubo de pressão para filtro prensa, leaf test e funil de Büchner para vácuo. Com uma amostra de 5 a 20 litros, o ensaio mede tempo de ciclo, volume filtrado, umidade da torta, finos passantes no filtrado e desprendimento, comparando o elemento em uso com candidatos sobre a mesma polpa. É o que isola a contribuição do tecido do resto do processo.

O acervo do laboratório reúne 577 ensaios de filtração documentados (2004–2026). Em mineração especificamente, são 138 ensaios documentados (2004–2026) — contagem sobre o corpus de ensaios de mineração, não uma fatia dos 577. Uma amostra em materiais minerais, cada valor sendo a média das corridas:

Material filtradoEnsaio (filtro simulado)Umidade da tortaGanho
Talco flotadoLeaf test (vácuo)22,1% → 13,4%−8,7 p.p.
Concentrado fino apatíticoLeaf test (vácuo)19,6% → 15,1%−4,5 p.p.
GranitoTubo de pressão (filtro prensa)12,4% → 8,3%−4,1 p.p.
Sulfato de níquelTubo de pressão (filtro prensa)55,1% → 51,4% *−3,7 p.p.
Rejeito de mineração (zinco)Tubo de pressão (filtro prensa)14,4% → 13,3%−1,1 p.p.

* No mesmo ensaio de sulfato de níquel, com auxiliar filtrante (perlita, 5–10 g/1000 ml), a umidade chegou a 45,1%.

Valores de ensaio de bancada sobre o material real do cliente: cada número vale para aquele material, naquela condição, e não se extrapola para outra polpa.

Resultados de ensaio em minérios e rejeitos no laboratório Remae


Vida útil do tecido em rejeito

Em rejeito, o tecido trabalha sob abrasão e sob dano mecânico na descarga. Num estudo independente de filtro prensa em rejeito de minério de ferro, reduzir a pressão nas placas ímpares, onde o cake blow danificava o tecido, elevou a vida útil do tecido em +178%; no mesmo estudo, controlar a granulometria de alimentação (grossos com menos de 8% retidos em 0,15 mm e finos abaixo de 0,045 mm limitados) elevou a utilização física dos filtros em +30% (Nigro, Silva & Schons Silva, LAMPPMIN / Universidade Federal de Catalão, Revista Foco v.16 n.9, 2023). São resultados daquela planta, atribuídos a essas duas causas, e não a uma troca de tecido.

O roteiro quando o tecido dura menos do que deveria está em vida útil curta do tecido.


Perguntas frequentes

Por que filtrar rejeito em vez de bombear para barragem?

Porque a Lei 14.066/2020 proibiu o alteamento a montante e obrigou a descaracterização das barragens existentes, o que tornou o rejeito filtrado a rota padrão de projeto novo, com a vantagem de devolver água ao circuito.

Qual umidade de torta a filtração de minério consegue entregar?

Depende do material. Em ensaios Remae com minérios e rejeitos, polpas de 35% a 80% de sólidos resultaram em tortas de 10% a 20% de umidade. Materiais que desaguam bem chegam abaixo de 10% em ensaio de filtro prensa: concentrado de zinco a cerca de 7,5%, granito a 8,3% e rejeito de mineração a 9,9% — cada um sobre o seu material, naquela condição de ensaio, sem extrapolação para outra polpa.

Filtro prensa ou filtro a vácuo para minério?

O filtro prensa trabalha a pressões maiores, em batelada, e tende a entregar torta mais seca; os filtros a vácuo favorecem operação contínua e grande volume de material que desagua bem. O comparativo sai do ensaio nas duas rotas.

Trocar apenas o tecido muda mesmo o resultado?

Muda, e é mensurável. No comparativo de 6 tecidos sobre a mesma polpa (tubo de pressão, ~34 °C), a umidade residual variou de 14,5% a 20,4% mudando só o elemento filtrante. O tamanho do ganho é próprio de cada material.

Rejeito ultrafino ou reprocessado é filtrável?

É o caso-limite: partícula fina cega o tecido e segura água, o que faz da construção do fio, da trama e do acabamento decisões de ensaio. Em material fino, a diferença entre tecidos chegou a 4,5 pontos percentuais no ensaio de concentrado apatítico (leaf test).

O que o laboratório precisa receber para rodar o ensaio?

Uma amostra de 5 a 20 litros da polpa e os dados de processo: material, granulometria e teor de finos, pH, temperatura, % de sólidos e equipamento.


Traga seu rejeito — o ensaio é feito no laboratório Remae. Envie uma amostra de 5 a 20 litros com os dados de processo (minério, granulometria, pH, % de sólidos e tipo de filtro) e a Remae devolve o comparativo de tecidos com a umidade medida no seu material. → /orcamento/