Filtragem de rejeitos e dry stacking (empilhamento a seco)
Filtrar rejeito é transformar a polpa da usina em torta seca o bastante para ser transportada e empilhada — o dry stacking — em vez de bombeada para barragem. O alvo prático é umidade de torta tipicamente abaixo de ~20%, com casos brasileiros publicados operando na faixa de 14–17%, e quem entrega esse número é o conjunto filtro + tecido filtrante.
Por que virou a rota padrão
A Lei 14.066/2020 proibiu barragens com alteamento a montante e obrigou a descaracterização das existentes — desde então, a filtragem de rejeitos deixou de ser alternativa e virou premissa de projeto novo. O rejeito que antes ia para a barragem agora precisa virar pilha: a descaracterização e os novos empreendimentos disputam a mesma engenharia de desaguamento.
O chão de fábrica fala do mesmo assunto com vários nomes: empilhamento a seco, disposição a seco, rejeito em pilha, filtered tailings, dry stack.
Os dois números que mandam no projeto
Umidade geotécnica de empilhamento. A pilha só é estável se a torta chega perto da umidade ótima de compactação do material. A referência de mercado é ficar abaixo de ~20%, e os casos brasileiros publicados (filtragem de rejeito de minério de ferro) reportam operação em 14–17% — cada minério tem seu alvo, definido pelo geotécnico do projeto.
TML de embarque. Quando o concentrado ou rejeito aproveitado segue para porto, vale o TML (Transportable Moisture Limit) do Código IMSBC: carga acima do limite é recusada pelo risco de liquefação. Segurar a umidade na origem — no filtro — é mais barato que secar depois.
Cada filtro pede um têxtil
- Filtro prensa — a rota dominante nos projetos novos de rejeito: lona de filtro prensa especificada por granulometria, pH e abrasividade. Rejeito ultrafino ou reprocessado é o caso mais exigente para o tecido.
- Filtro de disco a vácuo — setores/telas para alta produção contínua; ver filtro de disco.
- Filtro de esteira horizontal a vácuo — esteiras filtrantes para rejeitos que desaguam bem a vácuo; ver filtro de esteira horizontal.
A escolha entre prensa e vácuo depende do rejeito (arenoso × ultrafino), da umidade-alvo e do custo total — e o mesmo material dá resultados diferentes em cada rota, o que se mede antes, em bancada.
O que os ensaios Remae mostram
O acervo do laboratório Remae tem 138 ensaios de mineração documentados (2004–2026), entre Tubo de Pressão (filtro prensa), Leaf Test e Buchner (vácuo). Exemplos com rejeitos e material fino:
| Material | Ensaio (filtro simulado) | Umidade de torta obtida |
|---|---|---|
| Rejeito arenoso (pH 11,3) | Leaf Test (vácuo) | 11,4% |
| Rejeito final (pH 7–11) | Tubo de Pressão (filtro prensa) | 14,0% |
| Rejeito de minério de ferro | Tubo de Pressão (filtro prensa) | 16,8% |
| Concentrado fino apatítico | Leaf Test (vácuo) | 19,6% → 15,1% com o tecido reespecificado (−4,5 p.p.) |
Valores de ensaios de bancada sob condições declaradas; o comportamento em campo depende da polpa, do equipamento e da operação. O ponto: com o tecido certo, esses materiais chegaram à faixa que o empilhamento pede — e isso se verifica com a sua amostra antes do investimento.
Perguntas frequentes
Qual umidade a torta precisa ter para empilhamento a seco? Perto da umidade ótima de compactação do seu rejeito — tipicamente abaixo de ~20%, com casos brasileiros operando em 14–17%. O número exato é do projeto geotécnico; o papel do tecido é entregar essa umidade de torta de forma estável, ciclo após ciclo.
A torta está saindo úmida demais. É o tecido? Pode ser lona colmatada, permeabilidade errada para a granulometria ou ciclo mal ajustado — o roteiro completo está em umidade de torta alta: causas e no diagnóstico de blinding.
Filtro prensa ou filtro de disco para rejeito? Depende de rejeito arenoso × ultrafino, umidade-alvo e OPEX. Cada tecnologia pede um têxtil diferente (lona, setor/tela, esteira) — e o comparativo honesto se faz ensaiando o mesmo rejeito nas duas rotas em bancada.
E o rejeito ultrafino/reprocessado? É o caso-limite: partícula fina cega o tecido e segura água. Construção do fio, trama e acabamento são decididos em ensaio — em material fino, a diferença entre tecidos chegou a 4 p.p. de umidade no mesmo ensaio (concentrado fino apatítico).
Traga seu rejeito — o ensaio é feito no laboratório Remae. Envie a amostra com os dados de processo (minério, granulometria, pH, % de sólidos, tipo de filtro) e a Remae devolve o comparativo de tecidos com a umidade medida em cada um. → /orcamento/