Quais tecidos técnicos são usados na filtração sólido-líquido?

Resumo rápido: na filtração sólido-líquido industrial predominam quatro fibras — poliéster, poliamida (nylon), polipropileno e algodão — combinadas em quatro construções de fio e três contexturas básicas. A fibra define a janela química e térmica; construção, contextura e acabamento definem retenção, vazão e desprendimento da torta.


A fibra define a janela química e térmica

Antes da trama e do acabamento, o polímero decide em que meio o tecido sobrevive. Fibra fora da faixa de pH, de oxidante ou de temperatura degrada em semanas, e o sintoma chega ao almoxarifado como “tecido ruim”. Em separação sólido-líquido, quatro fibras cobrem a maior parte das aplicações industriais — todas tecidas pela Remae em instalações próprias desde 1956.

FibraTipo de fioGramaturaPermeabilidade ao ar (coluna 1/2”)EspessuraResistência químicaCalor, quando seco
PoliésterMultifilamento, monofilamento, fibra cortada, misto M/FC130 a 4200 g/m²0,6 a 33 m³/min/m²0,22 a 4,5 mmÁcido: ótima · Álcalis: regular · Solvente: ótimaAté 150 °C
Poliamida (nylon)Multifilamento, monofilamento140 a 410 g/m²0,6 a 25 m³/min/m²0,32 a 1,00 mmÁcido: ruim · Álcalis: ótima · Solvente: regularAté 130 °C
PolipropilenoMultifilamento, monofilamento, fibra cortada, misto MO/M280 a 700 g/m²0,5 a 120 m³/min/m²0,50 a 2,00 mmÁcido: ótima · Álcalis: ótima · Solvente: regularAté 100 °C
AlgodãoFibra cortada143 a 410 g/m²0,8 a 80 m³/min/m²0,2 a 1,5 mmÁcido: regular · Álcalis: ótima · Solvente: ótimaAté 100 °C

Faixas produzidas pela Remae por fibra, nas construções mais comuns e conforme o acabamento; artigos especiais estendem a faixa total de permeabilidade para 0,1 a 150 m³/min/m². A tabela completa, com os tecidos emborrachados (144 a 800 g/m²), está em tecidos técnicos.

A leitura rápida: o poliéster é o cavalo de batalha da filtração mineral, ótimo em ácido e em solvente e com a maior amplitude de gramatura; a poliamida é ótima em álcalis e ruim em ácido; o polipropileno resiste bem aos dois, com o teto térmico mais baixo; o algodão fica em processos frios.

Os limites térmicos são referências a seco — polpa quente e úmida derruba essas faixas, porque a hidrólise castiga mais que a temperatura isolada. Fibra de carbono e aramida, frequentes em listas genéricas de fios técnicos, praticamente não aparecem em filtração líquida de processo. Ver fibras e polímeros.

Tabela de tecidos técnicos Remae por fibra, contextura e resistência


Quatro construções de fio, quatro comportamentos

Definida a fibra, o mesmo polímero produz tecidos de comportamento oposto conforme o fio:

Construções de fio: monofilamento, multifilamento e fibra cortada

Quanto essa escolha pesa: num comparativo de 6 tecidos sobre a mesma polpa, em tubo de pressão a cerca de 34 °C, variando apenas o elemento filtrante, a umidade residual da torta ficou entre 14,5% e 20,4% — quase 6 pontos percentuais sem tocar em nada do processo — resultado daquele material, naquela condição de ensaio, não extrapolável a outra polpa.


Contextura: como urdume e trama se cruzam

A contextura é o padrão de entrelaçamento entre os fios de urdume (comprimento) e de trama (largura). Três padrões dominam o tecido plano de filtração:

Contexturas de tecido: tela, sarja e cetim

Fora do tecido plano, o feltro agulhado consolida camadas de fibra por agulhagem mecânica e filtra no volume da manta. Ver tramas do tecido filtrante.

O número que resume o efeito de fio e contextura é a permeabilidade ao ar: quanto maior a quantidade e a espessura de fios por centímetro em trama e urdume, menor a vazão de ar. Entre fornecedores, o valor só vale na mesma unidade e sob a mesma pressão de teste — CFM, l/min/dm² a 200 Pa e m³/m²/min a 200 Pa circulam lado a lado no mercado.


O acabamento fecha o artigo

O mesmo tecido cru vira produtos distintos conforme o tratamento aplicado depois da tecelagem: purgado e secado (remove óleos do processo têxtil), termofixado (estabilidade dimensional em operação quente), calandrado (superfície fechada de um dos lados: menos colmatação, torta soltando melhor e filtrado mais límpido), resinado (fios travados em polpa abrasiva) ou revestido com película de PU, PVC ou PTFE, que no limite torna o artigo impermeável. Como o acabamento calibra a permeabilidade final, ele entra na especificação junto com a construção. Ver acabamentos do tecido filtrante.

Vale o alerta: em filtração líquida, o PTFE aparece como acabamento — revestimento ou película sobre a base têxtil, a chamada teflonagem.


As fibras de alta temperatura pertencem à linha sólido-gás

Meta-aramidas, poliimidas, polissulfetos, fibras de vidro e acrílicas não filtram líquido: existem para gases quentes de despoeiramento, cada família com sua temperatura contínua e de pico e sua resistência à hidrólise e a gases ácidos. É a linha de mangas filtrantes e filtros TRM — e o lugar do PTFE como fibra estrutural.


Do panorama ao caso concreto

O tecido só entra em operação depois de confeccionado para o equipamento: lonas para filtro prensa, discos, filtros rotativos a vácuo, esteiras filtrantes, bolsas de centrífuga e leitos de decantação.

Este panorama descreve o que existe. Escolher entre as opções para um processo específico é outro exercício, guiado pelo minério, pelos finos, pelo pH, pela temperatura e pelo equipamento — a ordem de decisão está em como escolher o tecido filtrante para filtro prensa; os desvios já em operação, em umidade de torta alta.

A Remae mantém mais de 300 construções de tecido, laboratório próprio de testes com acervo de 577 ensaios de filtração documentados (2004–2026) sobre material real de clientes, e atende mais de 3 mil clientes.


Perguntas frequentes

Quais fibras são usadas em tecido filtrante para líquidos?

Poliéster, poliamida (nylon), polipropileno e algodão cobrem a maior parte das aplicações industriais, além de blends técnicos sob encomenda. A escolha sai da química real do processo — pH, oxidantes e limpeza — confirmada por ensaio de resistência química.

Qual a diferença prática entre monofilamento e multifilamento?

O monofilamento libera melhor a torta e colmata menos, retendo menos finos; o multifilamento retém mais finos e entrega filtrado mais limpo, com maior colmatação. Quando o processo exige as duas coisas, a construção mono-multi combina os dois fios.

PTFE serve como tecido para filtração de líquidos?

Em filtração líquida, o PTFE entra como acabamento — revestimento ou película sobre a base têxtil. Como meio estrutural, o uso está na filtração sólido-gás, em mangas de despoeiramento.

Qual a gramatura dos tecidos técnicos da Remae?

De 130 a 4200 g/m² no poliéster, 140 a 410 g/m² na poliamida, 280 a 700 g/m² no polipropileno e 143 a 410 g/m² no algodão, conforme o artigo e o acabamento. Gramatura alta compra resistência mecânica, e maior não significa melhor.

Tela, sarja ou cetim: qual contextura filtra melhor?

Cada uma resolve um problema diferente: a tela dá máxima retenção e estabilidade; a sarja equilibra vazão e desprendimento; o cetim favorece o desprendimento da torta e resiste melhor à colmatação.

Como saber qual combinação serve para o processo em questão?

Pelo ensaio com a polpa real. Uma amostra de 5 a 20 litros permite comparar o tecido em uso com candidatos no equipamento simulado — tubo de pressão para filtro prensa, leaf test e Buchner para vácuo — medindo umidade de torta, vazão e clareza do filtrado.


Traga sua polpa — o ensaio é feito no laboratório Remae. Envie uma amostra de 5 a 20 litros com os dados de processo (material, pH, temperatura, granulometria/teor de finos e tipo de filtro) e a Remae devolve o comparativo medido no seu material. → /orcamento/